segunda-feira, 20 de junho de 2011

Diabetes e vitamina D

Olá pessoal!

Essa postagem vai explicar a importância de quantidades normais de vitamina D no organismo para o controle de alguns problemas que podem ser exibidos por portadores da diabetes mellitus. Entretanto, o que é vitamina D?


As pessoas tendem a relacionar a vitamina D (colecalciferol) exclusivamente com a formação óssea, processo que ocorre por meio da manutenção da homeostase do cálcio a partir da interação com glândulas e órgãos, entre eles as paratireoides, o intestino e os rins. Isso faz com que a falta desse hormônio esteroide seja vista relacionada somente com o raquitismo e a osteoporose, quando ela na verdade engloba vários outros aspectos. Através da interação da vitamina D com seus receptores (RVD), ocorrem processos como a proliferação e diferenciação celular, além da imunomodulação do corpo.


A obtenção de vitamina D pelo organismo ocorre principalmente pela formação endógena nos tecidos cutâneos após a exposição a radiação ultravioleta. O consumo de alimentos ricos no nutriente (alimentos fortificados, como leite e cereais, ou fontes naturais, como óleo de fígado de peixe, peixes gordurosos, cogumelos e ovos) contribui com apenas 20% das necessidades do corpo, entretanto é ele fundamental para pessoas idosas por exemplo. Isso devido a fatores como baixa exposição solar, diminuição da eficiência da síntese cutânea, redução da absorção intestinal e também  redução da atividade de uma enzima chamada 1α -hidroxilase renal. Ela é responsável pela ativação da vitamina D no organismo, transformando 25-hidroxivitamina D em 1,25 dihidroxivitamina D. (Vitamina D ao lado).

Foi dito que a vitamina D tem função na imunomodulação. E o que é a imunomodulação? É o ajuste da resposta imune seja este de maneira a potencializar, suprimir ou até induzir a tolerância desse processo. Sendo assim, no caso da diabetes tipo 1, que tem com causa uma resposta autoimune às ilhotas de Langerhans, as quais produzem a insulina em suas células beta, encontrou-se na vitamina D um agente fundamental para a redução dessa resposta através da inibição de citoquinas IL-12, que estimulariam as células dendríticas do corpo a expor antígenos para células T helper 1. A vitamina D em sua forma ativa (1,25 dihidroxivitamina D) também inibe a maturação dessas células dendríticas e interfere na transcrição do gene de interferon gama (proteína glicosilada que está envolvida no controle de proliferação, diferenciação e resposta das células B e T). A importância da vitamina D advinda dessas regulações no sistema imune fez com que o centro EURODIAB coletasse dados que permitiram a consideração da suplementação desse hormônio como um fator de proteção contra a diabetes mellitus tipo 1.


Diversos estudos estão comprovando a eficácia da vitamina D no combate à diabetes tipo 1. Entre eles existem testes com camundongos em que carência desse hormônio causou a aceleração do desenvolvimento do problema e o tratamento com suplementação resultou na prevenção da doença. Um outro estudo finlandês que teve acompanhamento de 30 anos comprovou a redução da incidência de DM1 em crianças que receberam suplementação de 1,25 dihidroxivitamina D.


Além de atuar na imunomodulação, a vitamina D também apresentou utilidade contra problemas advindos principalmente dos portadores da diabetes mellitus tipo 2. A vitamina D não atua na redução da resistência à insulina por parte do organismo, mas protege os pacientes diabéticos de doenças cardiovasculares como a aterosclerose, já explicada pelo nosso digníssimo integrante Yuri na postagem: “Diabetes e o coração”.

O que acontece é o seguinte: estudos antigos já indicavam que a presença de vitamina D reduzia a taxa de expressão de doenças cardíacas nas pessoas, mas atualmente esse dado foi justificado por um estudo em que o sangue de 76 pessoas obesas, com 55 anos (média), hipertensão, diabetes tipo 2 e níveis baixos de vitamina D foi coletado e comparado com o sangue de 15 pessoas com níveis normais de vitamina D e outras 45 com pressão arterial normal. Dessas amostras de sangue foram cultivados macófagos que depois foram expostos à LDL. O resultado foi que os macrófagos dos pacientes diabéticos foram capazes de absorver melhor o colesterol em excesso quando estes não dispunham de vitamina D em um nível normal. E, como já foi explicado anteriormente no blog, a absorção em excesso de colesterol pelos macrófagos acaba transformando-os em macrófagos espumosos (foam cells) e dão início à formação de placas entre o endotélio e a lâmina basal dos vasos sanguíneos.

Até mais!

Referências:

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